Essa semana um vídeo protagonizado por duas irmãs viralizou. Maria Eduarda feliz pela chegada de seus 3 anos, aguarda ansiosa para apagar sua velinha, porém Maria Antônia foi mais rápida e apagou a velinha da irmã. Pronto! Num acesso de raiva Maria Eduarda puxou diversas vezes o cabelo da irmã.

É comum as crianças expressarem os sentimentos a partir das emoções, inclusive pela raiva. Minutos depois as irmãs já estavam brincando juntas e felizes.
Porém, quando a raiva sai do controle, é preciso ficar de olho. Dizer ao seu filho para “se acalmar” pode não ser a melhor opção, afinal, é preciso mostrar alternativas durante os momentos de frustração ou estresse.

Segundo Patrícia Santos, especialista em Gerenciamento da Raiva, até os quatro anos, por exemplo, uma criança pode ter até nove acessos de raiva por semana, incluindo episódios de chutes, socos, empurrões e choro. Contudo, as frustrações não devem ser eliminadas, pois é necessário ter desconfortos e decepções para desenvolver a autoconfiança e a resiliência. Para entender melhor sobre o assunto, a especialista tirou as principais dúvidas de como enfrentar a situação na família.

Por que as crises de raiva acontecem?
Por causa do sistema nervoso, o córtex pré-frontal ainda está imaturo e em desenvolvimento. Portanto, algumas habilidades da regulação de emoções podem passar por estresses, emoções e frustrações intensas.
Apesar de ser apenas uma fase, os pais não podem deixar de ficar de olho. Segundo a Escola de Medicina de Yale os problemas de raiva na infância também podem vir acompanhados de outras condições de saúde mental como, por exemplo, Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), autismo, transtorno obsessivo-compulsivo e Síndrome de Tourette.

O que fazer?
Nos momentos de raiva, é fundamental apoiar a criança e ajudá-la a explorar jeitos de regular o emocional. Durante o processo, desenvolver essa maturidade auxilia na promoção da felicidade e do bem-estar. O primeiro passo quando a criança tiver uma crise de raiva, é incentivar a respiração e fazer com que ele preste atenção nela.

Dicas para exercitar o processo (na prática!)
• Tente montar um quebra-cabeça, jogar um jogo da memória ou pedir para que ele tente contar os números de trás para frente;
• Incentive carinhos no pet de estimação;
• Peça para que ele escreva uma carta contando sobre os sentimentos;
• Opte pela respiração do óleo essencial de lavanda para acalmar ou no de laranja doce para a tristeza;
• Dê objetos que não quebrem para ele apertar como, por exemplo, massinhas ou slimes;
• Pratique mediação guiada para crianças, acompanhando todo o processo.

Os pais precisam ser um exemplo para os filhos
Reagir de forma agressiva ao comportamento da criança pode soar bastante negativo no processo de desenvolvimento. Então, ameaçar ou gritar pode engatilhar os modelos de comportamento que você está tentando desencorajar na criança.
Portanto, é muito importante manter o autocontrole, mesmo que ele tente testar os limites. Quando o momento de raiva passar, é importante sentar e conversar sobre o que aconteceu, porque durante os episódios, o entendimento é bloqueado pela criança.
Todas as vezes que o seu filho conseguir se controlar, é muito importante valorizar o avanço e elogiá-lo. Apesar das diversas dicas, é essencial compreender quais são os gatilhos que o deixam com raiva e dar um cuidado especial sem julgamentos e sem reações instantâneas pelo comportamento.

 

Fonte: Pais e Filhos